Quinta-feira, Maio 28, 2009

O poder da Imprensa (neste caso, desportiva)

Peço desculpa de estar outra vez a tocar neste assunto, mas há coisas que me obrigam a um comentário.

Vejam só como a Imprensa tem poder. Este caso que relato, podia ter acontecido com quaisquer outros intervenientes, independentemente da sua cor política ou "clubística".

Saiu hoje uma notíca no Jornal Record que relatava que o Benfica teria contratado o treinador Jorge Jesus. Fez a manchete do dito jornal. Isto numa semana onde o Benfica e o seu actual treinador Quique Flores se mantém em conversações sem saber muito bem qual o futuro deste na clube, mas, à falta de outra informação, o treinador mantém-se.

Com esta notícia, a CMVM suspende as acções da Benfica SAD até que o clube esclareça este caso. PODER: O jornal desportivo conseguiu suspender as acções transaccionaveis de um clube.

Veio de seguida o Benfica desmentir a tal notícia com um comunicado oficial e respectiva emissão à CMVM. Igualmente vai processar o dito Jornal.

Agora, "for the sake of argument" e para não tomar lados, substituam "Benfica" por Porto, Sporting ou a equipa do vosso coração e "Record" por um qualquer jornal diário desportivo.

Vamos imaginar que até estava nos planos do Benfica contratar Jorge Jesus. Como é que agora o clube iria reagir? De que forma poderia o Benfica contornar esta situação para que a contratação agora pudesse ir para a frente (num qualquer futuro próximo) depois deste episódio.

Vamos, hipoteticamente, avançar no tempo até ao anuncio da contratação do novo treinador do Benfica para a época 2009/2010: Jorge Jesus. Qual seria a manchete do Record? Quais seriam as perguntas dos jornalistas do Record na conferencia de imprensa? Que quão alto cantariam de galo os jornalistas do Record?

Será que os dirigentes do Benfica se vêem agora de maõs atadas para não dar parte de fraco e ceder pontos ao Record, e então não contratarem Jesus à conta disso? Talvez sim, talvez não. A verdade é que, quanto mais não seja, sairem notícias a dar conta de contratações baseam-se mais numa função custo-utilidade em que o lucro da especulação (venda fulminantes de jornais nesse dia) compensa o custo de um processo que se atrasará na justíça por muito tempo.

Agora, quem diz treinadores, diz jogadores. Basta saber-se que um jogador está a ser contratado por um clube, ou melhor, que há interesse de um clube (porque o olheiro desse clube estacionou o carro num parque subterâneo a 100 metros da casa do primo em segundo grau da mulher que toma conta do cão do jogador) na contratação de um jogador e saiem logo notícias nos desportivos diários que inflaccionam os mesmos jogadores, pura e simplesmente porque outros clubes fazem propostas ou mostram-se interessados para que esse jogador se torne mais caro para o clube adversário.

Oiçam lá, não acabámos de testemunhar que o mercado "especulativo" não funciona???? Pois, mas para alguns funciona e muito bem...

Portanto, o poder da Imprensa (neste caso, desportiva) volta a mostrar as suas garras.

E nós? Impotentes?

TVI (MMouraGuedes) : A novela continua...

Politiquiçes á parte...não posso dizer que discordo da decisão.

(publicada no Público, dia 28.05.2009 (link))

Apresentado por Manuela Moura Guedes
ERC condena TVI por “desrespeito de normas ético-legais” no Jornal da Noite de sexta-feira
28.05.2009 - 12h17 São José Almeida
A TVI, mais concretamente algumas das suas emissões do Jornal da Noite de sexta-feira, foi condenada pelo Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social por “desrespeito de normas ético-legais aplicáveis à actividade jornalística”.

A deliberação divulgada hoje toma posição sobre um conjunto de queixas apresentadas contra aquele canal de televisão, em concreto contra o jornal televisivo semanal que Manuela Moura Guedes apresenta à sexta-feira.

Todas as queixas versam o tratamento dado ao Governo e, sobretudo, à figura do primeiro-ministro, José Sócrates, sendo que a maioria se reporta ao processo Freeport.

Ao todo entraram na ERC dez queixas, apresentadas por cidadãos entre 16 de Fevereiro e 30 de Março de 2009, que visavam, entre outras, as edições do Jornal da Noite de 30 de Janeiro, 13 de Fevereiro, 1 de Março e 27 de Março. Uma destas queixas foi apresentada por Alberto Arons de Carvalho, deputado socialista e antigo secretário de Estado para a Comunicação Social dos Governos de António Guterres.

Os membros da entidade reguladora não foram unânimes no voto do parecer. Favoravelmente à condenação da TVI votaram José Alberto de Azeredo Lopes, Elísio Cabral de Oliveira, Maria Estrela Serrano e Rui Assis Ferreira, tendo estes dois últimos decidido apresentar uma declaração de voto. Já Luís Gonçalves da Silva votou contra, tendo também apresentado uma declaração de voto.

Não é aplicada nenhuma sanção ou coima mas os membros do Conselho Regulador concluem que é seu dever “instar a TVI a cumprir de forma mais rigorosa o dever de rigor e isenção jornalísticas, aqui se incluindo, nomeadamente, o dever de demarcar ‘claramente os factos da opinião’ (artigo 14.º, n.º 1, alínea a) do Estatuto do Jornalista)”.

Os membros da ERC consideram também “verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias (tal como resulta do artigo 14.º, n.º 2, alínea c) do Estatuto do Jornalista)”.

O parecer reafirma ainda, “sem prejuízo do antes exposto, o papel desempenhado pelos órgãos de informação nas sociedades democráticas e abertas como instâncias de escrutínio dos vários poderes, designadamente políticos, sociais e económicos”.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Que notas são estas?


Não resisti. Um sinal dos tempos...

Terça-feira, Maio 26, 2009

Liberdade de opinião vs. Liberdade de Imprensa

Todos estamos a par da mais recente "peixeirada" televisiva em "prime-time", protagonizada por Marinho Pinto e Manuela Moura Guedes. Para quem não está a par, aqui vai o vídeo da dita "altercação":



Não me vou estender muito pois muito já foi dito (na blogosfera) sobre este assunto. Apenas para dar dois pontos de vista:

1. Marinho Pinto disse, em "bom português" o que quase toda a gente pensa sobre a forma como Manuela Moura Guedes faz jornalismo, ou, para ser mais exacto, apresenta(ava?) o Jornal Nacional da TVI. Bastou apenas um visionamento breve de algumas notícias no mesmo jornal, para eu deixar de o ver por completo. Não queria criticar o teor sensacionalista do "tele-jornais" da TVI pois não pretendo atacar o respectivo director de informação (eles lá terão as suas razões), mas não posso deixar de concordar por completo nos argumentos que Marinho Pinto (que apesar de não ser grande exemplo, desta vez disse umas boas verdades) referiu quando criticou o jornalismo feito por Manuela Moura Guedes. Sobretudo no poder que lhe imputou e que ela, de facto, usurpa. Um jornalista deve ser neutral e apenas relatar os factos. Já a forma como os apresenta pode ser manipulada, mas é grosseiro opinar explicitamente e complementarmente à notícia.

2. Já repararam como esta "notícia" não foi mais explorada pelos próprios média? Corporativismo? Protecção da classe? Pois é...é melhor abafar o caso para não denegrir mais a nossa classe...Não interessa nada levantar celeumas à volta da qualidade do jornalismo...Senão, como teríamos tempo para atacar as outras classes: políticos, médicos, professores...pois é, pois é... Vamos mas é contratar uns ditos "comentadores" que dizem que percebem montes do assunto e não são nada "parciais"... e ainda vem aí mais um canal...a qualidade da televisão agora é que vai aumentar...mais tachos...

Enfim, fico-me por aqui, para não alongar mais o post. Comentários?

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Feira do Livro Aquático

A Feira do Livro do Porto é este ano na Avenida dos Aliados. Após uma reconversão concisa (leia-se com"Siza") dos jardins da dita avenida em calçada, presta-se a mesma a receber inocuamente a tão famigerada feira. E refiro-me a ela desta forma pois pergunto-me se tão alva calçada na qual assenta, tem tão boa absorção como o relvado do estádio do Dragão, pois segundo as previsões meteorológicas, prevê-se um fim de Maio chuvoso.

Não queria deixar de louvar os vários eventos que se esperam (mais detalhes em: http://feiradolivrodoporto.pt/) e com os quais congratulo a organização, que apenas peca pela localização. Não que a avenida dos aliados não seja um bom espaço, mas este ano o S.Pedro não foi bondoso. Tudo bem que tem Metro à porta e que isso facilita o acesso, mas hum...não deixo de torcer um pouco o nariz.

Outras coisas haveria a apontar à organização, como a parca e infeliz estética da mesma feira, parecendo as "barracas" algo saído de uma fábrica de conglomerados, mas pronto, gostos não se discutem. Apenas censuro que já que se fez tal intervenção, porque não uma estrutura coberta para que o visitante possa calmamente apreciar as obras literárias com as duas mãos sem ter de segurar no guarda-chuva. Já quando era na Rotunda da Boavista, ficava tudo enlameado e era uma feira às moscas...

Pergunto eu: o que aconteceu ao pavilhão Rosa Mota? Havia espaço, serviços, cobertura e bom ambiente. A voltar aos aliados, a feira pode ter ganho visibilidade, mas perdeu na luta contra o Tempo. Não quero parecer o profeta da desgraça, mas vamos ver como corre o evento se a chuva que se prevê se confirmar.

Apenas para terminar, e não deixar créditos por mãos alheias, um breve trecho das declarações proferidas pelo director do evento Avelino Soares, em entrevista ao JPN:

À semelhança das edições anteriores, a Feira do Livro 2009 é organizada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). Entre as novidades previstas, destaca-se a disposição dos pavilhões "em sintonia com a cidade". "Os novos pavilhões permitirão que a Feira funcione em termos de harmonia estética, como um todo, com uma envolvência em relação à cidade talvez nunca antes conseguida", disse ao JPN Avelino Soares, director do evento.

Hum...não devo perceber nada de estética então...Mas com as costas viradas para a rua, os "pavilhões" não tem grande aspecto...

O responsável acredita ainda que a crise não vai afectar as vendas. "Temos a certeza que a população tirará proveitos da nova Feira do Livro do Porto, pois o Livro é (e tem que ser cada vez mais) um produto de primeira necessidade", afirmou Avelino Soares ao JPN.

A crise poderá não afectar as vendas, a chuva talvez...

Mas parece que não sou o único a partilhar de preocupações (link):

A futura mudança de localização da Feira do Livro para a Avenida dos Aliados, devido às obras que se irão realizar no Pavilhão Rosa Mota, levanta dúvidas entre as editoras quanto à afluência de público. Para Alberto Pinto, da Editorial Verbo, o Palácio de Cristal tem melhores «acessos e parque de estacionamento para os carros» e «a partir de uma certa hora a baixa fica deserta». Alexandra Melo desvalorizou estas preocupações, afirmando que a zona do Palácio também «morre à noite», mas as «pessoas vêm de propósito». A assessora da APEL disse ainda que a zona dos Aliados é «mais central» e com um «óptimo acesso» a nível dos transportes públicos.

Bom, enfim, vamos ver como corre. Oxalá, seja um sucesso.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Vasco Granja (1925-2009)


Deixou-nos hoje mais um ícone da cultura portuguesa e que marcou, de certeza, a infância da geração que agora entra nos seus 30.

Vasco Granja era o nosso "avô cantigas" mas dos desenhos animados. Se a animação checoslovaca, russa ou mesmo húngara nos era estranha, apesar de dotada de extrema qualidade, inovação e rasgos de genialidade, o pobre petiz especado em frente ao televisor, ansiava pelo Bugs Bunny, o Daffy Duck e até mesmo o Coyote e o Pápa-Léguas. Ou então a enigmática Pantera Cor-de-Rosa que afinal era macho e não falava. Mas também não era preciso :)

Vasco Granja marcou uma época da infância que primava pelo estímulo das gerações à arte da animação e fugia ao consumismo de uma animação mais comercial, apresentando propostas vindas de leste e que primavam pela diversidade cultural, criando um misticismo à volta desses povos, mas que não deixava de deixar o bichinho da curiosidade que mais parte faria com que essas crianças soubessem e fossem descobrir mais acerca desses países, para lá da outrora "cortina de ferro".

Fechando a cortina a Vasco Granja, e aplaudindo a sua última vénia, fica a recordação de um homem que foi pioneiro e nós, os seus "discípulos" agradecemos-lhe prestando-lhe aqui a nossa homenagem.

Koniec, Vasco.




(o texto seguinte é retido do site do Público, em 2009/05/04)

Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu esta madrugada em Cascais. Tinha 83 anos.

Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, que consideraria, anos mais tarde, a sua universidade. O seu interesse pelo cinema surge na adolescência e aos 16 anos chegaria a ser admitido como segundo assistente de fotografia no filme "A Noiva do Brasil", de Santos Neves.

No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren.

No início da década de 60 arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma.

É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965, Vasco Granja retoma a sua actividade cultural, com artigos nos media sobre cinema e literatura.

O seu nome é habitualmente associado à divulgação da banda desenhada em Portugal. O termo “banda desenhada” é, aliás, utilizado pela primeira vez por Granja num artigo publicado pelo Diário Popular em 19 de Novembro de 1966.

Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada Phénix, nos anos 60 e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70.

Em Portugal, a sua actividade de divulgação da banda desenhada intensifica-se a partir do aparecimento da edição portuguesa da revista Tintin, em Junho de 1968, onde escrevia e traduzia artigo, além de ter a responsabilidade da secção de cartas aos leitores.

Em 1974 e 1975 integra o júri do Salão Internacional de BD de Angoulême. Depois de 25 de Abril de 1974, Vasco Granja mantém um programa regular sobre cinema de animação na RTP, que teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género. Estava reformado desde 1990.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Blogar hoje em dia é difícil

Caros leitores (ou seja, ninguém):

Este blog não tem tido actividade. É complicado "blogar" hoje em dia. As opiniões de pouco servem aos outros. E o tempo para o fazer não é muito. Tenho "twittado" mais que "blogado".

Portanto, estou a pensar seriamente fechar este blog. Como também acho que ninguém lê este blog, só mesmo de quando em vez e muito raramente alguém cá passa, vou dar mais um mês e fecho isto.

Isto tudo começou não no blogspot, mas com a minha companheira da altura num blog conjunto (MovableType) que eu fazia por assambarcar..depois decidimos que era altura de cada blog seguir o seu caminho (e depois mesmo nós) e este blog singrou por aqui até que foi ficando mais difícil fazer posts. Hoje está quase morto, mesmo depois de uma tentativa de reavivar isto.

Acho que vou ficar por aqui. Obrigado por lerem.

Portanto, se alguém me está a ouvir..ir...ir..., allô? ...ô?...ô? Vou fechar isto! ...isto! ...isto!

Se quiserem continuar a seguir, aconselho o twitter ou o facebook (abaixo).

Obrigado..ado..ado...

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Sexta-feira, Março 06, 2009

Tira da Semana: Compras...

(Des)Acordo Ortográfico: "Contra fatos, não há argumentos, há gravatas".

Ainda ontem trocava impressões com um aluno numa aula prática, entre esclarecimentos e dúvidas, sobre o novo acordo ortográfico.

Muito simplesmente a minha opinião é: eu não vou aderir e ponto final.

Não vai perder muito a cultura portuguesa por esta minha decisão, mas não concordo com a ambiguidade que se cria porque "contra fatos não há argumentos, há gravatas".

Não estou contra deitar fora todas as horas que gastei a habituar-me a consoantes mudas e outras que tais, que há partida não me faziam sentido, mas que depois percebia a sua função: desambiguidade.

Mas nisto não me vou esticar. Percebo as razões culturais por detrás deste acordo e que resumo nas seguintes tags: brasileiro, longevidade, maisfacildeaprender, evoluçãoemforçadasmassas, massificação, homogeneização, globalização, aumentodopublicoalvodalinguaelogodacultura.

Mas não me preocupo. A minha avó ainda escrevia pharmacia e os meus netos irão comentar que eu ainda escrevia "óptimo" e "qualquer" e ria-me à gargalhada (em vez de "ohtimu", "qq" e "LOL"...oops...perdão.. "RSRSRSRSRSRS"...assim é no Brasil). Não tem mal nenhum, é a evolução da língua. Aqui há uns séculos falavamos todos "ibérico".

Como dizia o outro: "Pra bom ent me pa bá"....(Para bom entendedor meia palavra basta).